21/08/2021

Casa da Cura

 "A porta de entrada para a terra silenciosa é uma ferida. O silêncio põe a nu esta ferida. Não viajamos longe no caminho espiritual antes de termos algum sentimento da ferida da condição humana e é precisamente por isto que não poucos abandonam uma prática contemplativa como a meditação assim que ela começa a expor esta ferida; eles passam, em vez disso, para algum entretenimento espiritual que irá manter a distração. Talvez seja por isto que os fracos e feridos, que conhecem muito bem a vulnerabilidade da condição humana, possuem frequentemente uma aptidão para descobrir o silêncio e podem sentir a integridade e cura que estão no fundo desta ferida"

- Martin Laird, Into the Silent Land. The Practice of Contemplation, 2009, p.117.

15/08/2021

Pausa para cair em si

 [...] a experiência mística de todos os séculos, de todos os países e de todas as religiões demonstra que o auge do sentimento religioso consiste numa fusão entre objecto do culto e sujeito do culto, num transformar-se o amado na coisa amada, num aparecimento da unidade perfeita onde a dualidade existia. Para um observador de fora, um homem intrinsecamente religioso, em perpétuo êxtase religioso, poderia dar a impressão de não estar prestando nenhum culto a nenhum Deus e, na vida prática, esse homem comportar-se-ia com a alegria, a espontaneidade, o desprendimento do selvagem, sem que também fosse necessário, fatal, o aparecimento de qualquer espécie de rito: esse homem teria reconhecido Deus em si e nos outros e viveria, naturalmente, sem tu e sem eu, de igual para igual, num universo inteiramente divino”

(Agostinho da Silva, A Comédia Latina [1952], in Estudos sobre Cultura Clássica, p.305)


Acontece-me Deus…
Que posso fazer a não ser permanecer enquanto o consigo fazer? 
Deixar que Ele me solte como se fosse um pássaro…na entrega ao voo e assumir o risco do imenso vazio?
 Como diz Dostoievski no seu livro Os irmãos Karamazov :

"Somos assim: sonhamos o voo mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram."

Talvez seja esta porta, o Vazio. A experiência mística, como Voo nesse vazio ! A suprema Liberdade. O local exato onde o Ser de cada um se revela na sua essência mais pura. O olho do furacão onde paira uma tranquilidade intocada e improvável. A serenidade no centro de um turbilhão.
Este é o segredo dos místicos: o alinhamento na cadencia da respiração de Deus; no pulsar ritmado do Universo; na vivência como amantes e amados que procuram a união/fusão sem confusão. E como todos os que se amam profundamente e profusamente, vivem a dança cósmica a acontecer  na quietude do corpo.

Um cair em si, que de tanto se desprender para se encontrar, mergulha num Vazio cheio de Presença…
De tão simples se torna um enigma. 
De tão belo, se revela ocultando-se num pudor de Gratidão.

O Silêncio é a mão que desvela as palavras que só se sabem dizer sussurradas como véus a deslizar na pele. 
O corpo estremece perante a evidência do Amor que não se deixa aprisionar por ritos ou pelas gaiolas dos nossos medos . Não precisa de certezas. A Vida exalta-se em cada célula e Deus é reconhecido pelo Beijo que nos deu como Corpo. Somos esse corpo, seja ele em forma humana, ou na constelação de Orion a brilhar no céu.
Somos Luz!



10/08/2021

Casa do Coração

 


Permaneço no monte...o monte de Elias, de Moisés, de Jesus, também o monte de Teresa, a carmelita desvairada que apenas respondia ao Coração. Movia-se em direção a ele, saiu da cabeça, ela que pensava tão bem e, desenhou toda a sua vida em função de um espaço interior mais profundo, onde a Luz irrompe de dentro, sem limite a quem se atreve a fazer um caminho de intimidade profunda com o divino . O corpo tão desvalorizado e colocado como "o inimigo" por algumas correntes dominantes desse tempo, é levantado do chão.  Com Teresa de Jesus o corpo retoma o seu lugar. É a foz onde chegam todas as vozes dos sentidos. O Amado não se reduz a uma construção mental, um avatar insípido. O Amado toca e é tocado. Incendeia e gosta de se tornar incandescente pelo Amor desvairado desta mulher que vai com Tudo! Sente e Pensa numa sintonia de perder o fôlego! 

Ela cai profundamente em si. Não se detém a diminuir-se por ser mulher, por discordar do destino que lhe queriam dar. Pelo contrário, desde muito nova faz de tudo por mostrar a fibra de que era feita. A autenticidade e um carácter apaixonado movem-na a correr riscos. A obediência à autenticidade do seu ser fá-la sofrer. Muitas vezes em luta consigo mesma e com a sua natureza, Teresa vai aprendendo a paciência, a persistência, a permanência. Rende-se e aí dá permissão para se encher de humanidade e se despir de ilusões. Na oração como espaço priveligiado,  Teresa deixa-se cair de amores. Sem filtro. Sem véus. Numa nudez absoluta perante o Amado. Uma nudez desejante e activa. Contra a corrente dos conselhos piedosos sobre a sexualidade feminina vigente, de negação do júbilo,  ou sendo o júbilo coisa de mulheres da vida. Teresa é um rasgão na mortalha que a moralidade queria impor ao ser desejante feminino! Ela sente! Sente com o corpo todo! Deseja o seu Jesus com todas as células! E depois de o procurar Sempre! Mesmo quando ele se ausentava e a deixava sozinha, ela nunca desistiu de percorrer todos os caminhos, de conquistar todos os Castelos, de subir todos os montes para Nunca perder de vista Aquele que lhe enchia a Alma de Amor. Na oração, Teresa trabalha o músculo, o único que importa verdadeiramente. A zona vulcânica do coração! Ela tão inteligente, desliga a mente e religa o lugar onde dentro dela ela É! O lugar do respeito absoluto pela Verdade do seu Ser. Sem concessões. 

Nesse local de profundo encontro, Teresa perde o fôlego por instantes, mas a seguir, inundada pela Vida de Quem lhe importa, Teresa respira fundo, enche de novo o coração e o peito e vai! Parte renovada para as circunstâncias da vida e torna-se co criadora do Reino. Viaja, funda conventos, escreve, comunica. Obedece à voz interior e ao guião da autenticidade mesmo que isso lhe custe caminhar na borda de um abismo...eram tempos de inquisição. Quase se viu enredada nessa teia tão negra...

Nesta jornada cheia de encanto desta Teresa de todos os desvarios, Teresa precisa de quem a entenda. A escute. A respeite. A estime. João da Cruz, alma também ela perdida de amores pelo Mestre é o interlocutor perfeito. Com metade da idade de Teresa, João é uma personalidade de tonalidades muito diversas de Teresa, mas torna-se o confidente, o ombro, a outra alma que a podia entender. É uma relação íntima na comunhão de uma espiritualidade intensa. Teresa e João têm sensibilidades muito diferentes perante o divino, mas é esta diferença que os faz complementares e inseparáveis: para a intensidade da Luz solar de Teresa, a noite escura da alma de João. Os dois magistrais na expressão da sua espiritualidade.

Teresa foi uma mulher extraordinária e se já ia lendo sobre ela, com o Scala vi-me a comprar as obras completas e a querer saber mais. Ainda estou neste "namoro" e já tenho debaixo de olho mais 2 livros para tentar entender Teresa de Jesus pelo olhar de uma filósofa e psicanalista:

"Thérèse mon amour", Julia Kristeva

Sobre o livro de Kristeva Confira Frederika Abbate no #SoundCloud

https://soundcloud.app.goo.gl/hx2zh

 De um padre jesuíta também ele psicanalista de quem já li alguma coisa:

"L' Autre du désir et le Dieu de la foi ",  Denis Vasse

Bem me parecia que ia gostar muito do módulo sobre Mística...não sei se a conta bancária gostará assim tanto...



06/08/2021

Casa da Transfiguração




Hoje celebra-se a Transfiguração de Jesus. Desde que dei conta que este dia era celebrado com uma dignidade especial, afeiçoei-me a ele. Cair no mês de Agosto também ajudou a gostar do sabor a Luz que este dia traz, porque a experiência de retiro, de ruptura com o quotidiano a que Jesus convida alguns apóstolos, lembra-me sempre Férias!! Fazer a experiencia do Tempo de um modo diferente. No caso daquele punhado de homens, eles deixam os outros no sopé do monte e vão fazer um trail de nível médio - achavam eles- com Jesus como guia

E  volto ao que escrevi no texto do dia 4...

De algum modo esta experiência do Scala, tem sido vivida por mim neste tropeço de subir o monte, com a sede de ensinamento/vivência que tinham os apóstolos, mas ao mesmo tempo e de um modo intenso, também  experimentando uma profunda desorientação cheia de Vida, como eles! 
Achando ser apenas espectadora como se sentiram os apóstolos e, querendo fazer uma tenda para conter a Luz...
E ando nisto de tentar costurar uma tenda toda kitada para conter o que desencadeia em mim o Scala, chamam a isso reflexão, e a meter os pés pelas mãos nesse projeto. Vamos montar três tendas...
E aconteceu-me a insónia do dia 4 e a chegada deste dia. Percebi o quanto os "trabalhos finais" dos blocos, afinal são sentidos para mim como uma espécie de dissonância no meu processo de elaboração dos conteúdos...sinto-me um Pedro encadeado a tentar arrumar e dar ordem a um toque de divino...a tentar fechar rapidamente todas as portas e janelas que a Luz de repente abriu! Como se tudo não passasse de uma rajada de vento que desassossegou a rotina. 

Mas não…

O que tenho sentido nestes meses de Scala tem sido este encontro tão próximo com os nossos da Fé que partilhamos, com todos os Elias e Moisés da nossa vida como cristãos. Um encontro desafiante com este Jesus que transpira a subir o monte e tem pulmões humanos. Mas que também fecha os olhos para Ver o Pai e, faz Silêncio para Falar e Ouvi-Lo melhor. 
É Ele quem nos ensina o Caminho que une Tudo e transfigura o Tempo: o Silêncio e a Oração. 

Também eu neste momento da minha vida, preciso de espaço e de tempo (com letra pequena), para tirar da mochila tudo o que me  (de)formou como cristã.

Estou no cimo do monte, trago uma mochila cheia de Vida. Detenho-me a olhar estes "três" personagens que ao longo destes meses de curso se revestiram de uma luz incrível! Tiro da mochila todas as "fotos" que ao longo da vida tirei destes da minha Família e, refaço o álbum…

Preciso de Tempo…
Preciso de Silêncio...

A jornada que o Scala está a ser para mim não é turismo. 
É tao séria como cuidar da saúde 
É tao séria como cuidar da vida.
E tão séria como os 4 anos de psicanálise que fiz. 

Estou atordoada como aqueles três ao descer o monte. Jesus recomenda que nada digam do que se passou ali. Ainda não era o Tempo das palavras. Esse tempo, o das palavras, chegou  passado pouco tempo. Todas as palavras se soltariam depois de um rolar de pedra. O Verbo rolou e continua a fazer estragos passados mais de 2000 anos...

Mas eu, regredi à Transfiguração e preciso de tempo para poder dizer "coisas" sobre a Luz. No meu jeito.
Pois para lá de toda a partilha de conteúdos e o que desencadeia de trabalho intelectual o Scala mexe com a minha identidade. Não só a "cristã", como se  "ser cristã" fosse um anexo a ser humana. Não!!! Mexe com a minha Identidade. Com quem sou. Com o jeito como vivo e sou para, e com os outros. Com o meu modo de me expressar. Com o jeito diferente com que agora leio a Bíblia e, já a leio diariamente desde os 13...
Mas eu sou todas as etapas de desenvolvimento que me trouxeram aqui. Todas as tarefas de vida que já cumpri, como bem explica Erikson nas 8 idades do Homem . E nesta etapa de maturidade com tarefas de vida já cumpridas, sinto-me como o Nicodemos...a nascer de novo.
Faço a descida do monte. Hoje é dia 6 de Agosto. Um dia especial para mim. 
Em 2000, depois de um coma profundo de 3 semanas, o Fernando acordou e tentou articular as primeiras palavras após todo o trauma que 25 minutos de paragem cardiorrespiratória significam. Neste mesmo dia de agosto, mas em 2007, dois dias antes de morrer, a minha psicanalista e, amiga após a terapia concluída, telefonou com uma voz cheia de emoção, para me dizer:" vou ter muitas saudades suas! " e disse-o 3 vezes...foram as últimas palavras que lhe ouvi, estava muito doente e morreu no dia 8 de Agosto. 

Este é um dia muito especial…
E o Scala também. 

Sinto este fim do primeiro ano como o início.
Agora comecei o Scala! E que me perdoem os coordenadores se as minhas sínteses forem só isto...mas saibam que como diz o Tarkovski, não pode ser só isto...

"O verão partiu
e nunca devia ter vindo
será quente o sol
mas não pode ser só isto

tudo veio para partir
nas minhas mãos tudo caiu
corola de cinco pétalas
mas não pode ser só isto

nenhum mal se perdeu
nenhum bem foi em vão
à luz clara tudo arde
mas não pode ser só isto

agarra-me a vida
sob a sua asa intacto
sempre a sorte do meu lado
mas não pode ser só isto

nem uma folha se consumiu
nem uma vara quebrada
vidro límpido é o dia
mas não pode ser só isto"

Estou no meu tempo a tecer as diferentes cores desta extensa tapeçaria. Se na juventude tinha a noção de ainda ter muito tempo pela Terra, para ler muitos livros e, me dava ao luxo de me deter num apenas, e "perder" tempo a desenvolver em círculos o tema, agora não…

O Tempo mudou.

Mais do que "perder" muito tempo a explicar a beleza de um livro ou dois, de um tema, agora saboreio todos os livros que leio. Estendo-me nas palavras como se fossem a minha toalha de praia e ponho-me à conversa com os livros que fizeram caminho comigo no passado. São umas conversas e tanto! Não paro as leituras simultâneas que estou a fazer, só porque "tenho" de pôr cá fora uma "reflexão". Já não me posso dar a esse luxo como quando tinha 30 anos. Agora o Tempo encolheu...é ainda mais precioso! As margens criadas ilusoriamente pelo Tempo, por vezes desaparecem e, já vou navegando sem medo na Eternidade, de onde nunca saímos,  mas que por ímpeto de sobrevivência, precisamos de arrumar para debaixo do tapete do Tempo… esse tapete cheio de pó que acumulamos, para um dia, Deus nos sacudir e nos fazer Ver de outro jeito o chão sem soalho onde estendemos o tapete…

Assim, a minha reflexão do Scala vai (a)parecer, coreografada pelo Tempo numa espécie de Diário…
Na cadência do "tambor de todos os ritmos".
A respirar o pó dos meu dias.
A caminhar  (A)gosto...

Oração ao Tempo 


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...


04/08/2021

Casa da Insónia


"Eis que estou à porta (do teu coração) e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo"

 -- Apocalipse 3:20

Estamos em agosto. São 4:30 da madrugada e continuo acordada desde as 2. Não sou pessoa de insónias, mas quando acontece, é porque a cabeça necessita de mais tempo para tricotar os pensamentos…
A escuridão leva-me a pensar na " noite escura da alma" de João da Cruz e nas noites escuras que já atravessei. Ponho de lado a escuridão das minhas noites e detenho-me no motivo dos textos de João da Cruz estarem tão presentes por estes dias- O Scala!
Dou por mim a pensar no plano que pretendia desenvolver no final do bloco e de repente, como uma rajada de vento, desfaço mentalmente toda a estrutura já arrumada na secretária e desmonto peça por peça o guião que me ocuparia nos próximos dias.

Esta insónia de noite escura, começou a ser iluminada por um dos dias mais bonitos da liturgia e que não me parece ser devidamente celebrado na tradição de que faço parte. Dia 6 de Agosto é o dia da Transfiguração. Um dia muito especial para mim, sempre vivido silenciosamente  e que sempre mexeu muito comigo. Hoje, madrugada da insónia ainda só é dia 4, mas já vivo a subida do monte e preparo a mochila! O que tem o Scala a ver com a Transfiguração?

Tudo!

A escolha apenas de alguns numa extensa lista de interessados
O caminho de esforço. 
O diálogo entre tempos que se revelam e, ganham corpo com  Jesus no centro. 
Nós, somos os apóstolos do seculo XXI que acham que são apenas personagens de bastidores, passivos, que não pertencem à cena principal, como Pedro não  achava. Mas, afinal descobrimo-nos atores principais como Moisés, Elias e Pedro… só  que ainda  não tínhamos dado conta...até ao Scala!
Afinal temos estado neste momento de vislumbrar o passado, o presente e o futuro, neste monte Sinai/Scala, achando também que estamos passivos a ver a caravana passar...mas não!

Nunca mais a minha jornada pelo cristianismo será igual!
Posso ainda não saber dizer bem o que se está a passar comigo, tal como Jesus recomenda aos apóstolos para não contarem a ninguém. Eles ainda não tinham vocabulário para tal metamorfose, como eu ainda não tenho… mas as peças já começam a cair no lugar
Tudo está a surgir renovado e belo como o amanhecer de Agosto.
Venha a próxima Casa! O Jogo da Glória não para. 
Soltem os dados!
O que foi este bloco?

A Casa da Transfiguração.

"A gente só tem perguntas, e quando encontra respostas elas transformam-se em novas perguntas. Então, nunca faremos o livro que queremos, porque pode-se sempre ir mais longe. E, se conseguirmos trazer uma coisa que achamos nova, percebemos que essa coisa é uma porta que dá para outra coisa ainda, e outra, e outra, e outra."

António Lobo Antunes.

Tempo do Fogo

Dias de fogo Dia de mergulhar num silêncio limpo. Sem palavras, pensamentos, desculpas. Fechar os olhos e ver as fendas dos nossos "tem...