21/01/2021
Jesus Cristo
03/01/2021
Pedras no Caminho
02/01/2021
No Princípio...
Existem trisavós com quem me identifico e, tem outros parentes, uns mais próximos, outros perdidos nas brumas do tempo, de quem não tenho apreço algum. De alguns tenho até vergonha... foram um desastre...mas a maior parte destes familiares fazem-me estourar de orgulho!
Todos, com as suas fragilidade ou os seus dons, fazem parte desta viagem ao longo dos tempos...
Mas, por mais voltas que dê a esta história, o certo é que isto tudo começou muito mal...
...aquele Jesus que está no Início, nasceu humilde. Anónimo. Numa aldeia perdida na Galileia. Deu-se com gente que era renegada. Trocou as voltas às convenções e deu voz às mulheres. Até a família desconfiava dele! E, morreu como um malfeitor…
Contudo, de que Força era feito este homem Jesus, para com um punhado de apóstolos carregados de defeitos, terem fundado uma religião?
O que os levou a acalentar uma mensagem contra a corrente?
A jurar a pés juntos que o tinham visto ressuscitado?
Talvez o impacto de um Amor infinito, fosse o que teve ressonância no coração daqueles homens e mulheres...talvez eles tivessem percebido a pulsação na cadência do Pai…. Daquele Abba de que Jesus tinha a boca cheia. Eles tinham feito a experiência também…
Ficou-lhes tatuada no coração.
Foi o impacto de um Amor tão íntimo vivido na pequena comunidade, que atravessou séculos e foi construindo o homem por dentro! Quase como se eles tivessem aprendido a música desse amor e, ao longo dos séculos tenham andado a tentar entender as palavras.
Homens feitos a aprender a falar a "língua" de Jesus...umas vezes bem, outras vezes a meter os pés pelas mãos.
Nem sempre a letra dessa música foi profunda e leve como era a de Jesus, mas quando atinaram com a música! Foi um festival!
Passados mais de 2000 anos honramos os passos de quem nos precedeu, e guardamos no mais fundo de nós, o rumor desse profeta que passa sem alarido e se cruza com as vidas simples dos homens. Ainda hoje!
01/01/2021
A Doutrina
(Imagem: cartilha da "Comunhão Solene" do meu pai)
Era domingo, vestiram-me o melhor vestido e os sapatos de verniz. Disso eu gostei!
À minha volta zumbiam recomendações, a maior parte delas a começar por um "Não".
Ia fazer o exame para a minha primeira comunhão. Sim, faziam-se exames! Seria comunhão "privada" antes de frequentar a catequese.
Fui moldada pelo ensino doméstico da "doutrina", na versão da minha avó paterna. De nome Piedade, era uma mulher rígida, pouco afetuosa e, que levava à risca a sua missão de me fazer memorizar um rosário de orações, as necessárias para eu me aproximar do altar com os adultos. Meu Deus, o quanto me custou memorizar a "Salve Rainha"! Mas no dia designado, julgo que terá sido 27 de fevereiro, o mesmo dia do aniversário do meu pai e do meu batismo há 60 anos atrás, lá me apresentei ao abade de Paranhos.
Era um homem corpulento, com uma voz autoritária. Imenso! Eu, na altura dos meus 6 anos (a tal idade da razão, diziam) fui presente ao inquiridor na sacristia da igreja. Ele olhou para mim de alto a baixo, sério. Religião era assim, sem sorrisos, achava eu… e começou a perguntar...Pai nosso??… Ave Maria??…mas, eu fiquei qual estátua de sal! Nem uma palavra saiu da minha boca! Irritado, ele insistia. Aterrorizada, eu engolia a "Doutrina" mal digerida e só queria fugir dali! O abade, do cimo da sua sobranceria virou-se para os meus pais, envergonhados com a minha triste figura e disse-lhes: "Eu só permito que ela comungue, porque sei a família de onde vem"!!
Eu não percebi nada. Mas na missa que se seguiu, fui encaminhada para a fila da comunhão e entrei para a equipa dos grandes! Queria sentir-me feliz, mas não...foram tantos os avisos, os sinais proibidos, que só pensava que já estava farta daquela "idade da razão"! Afinal, a partir daquele dia estava sujeita a uma série de interdições. E nesse mesmo dia, senti que tinha perdido a inocência...algo se tinha quebrado dentro de mim…
Coisas do outro século…
Mas, aqui estou, com mais um dígito na idade à frente do 6. 60!
De regresso às origens! Rumo casa de partida...
Numa espécie de "exame" que a mim mesma me coloco, agora na idade madura …
Sem abade mostrengo, mas em confronto com os meus "mostrengos" . Com todas as deFormações que a vida armazenou em mim. Com todos os seus encantos.
Sou eu mesma a propor-me a "exame". A correr riscos com a Fé, porque aprofundá-la é correr o risco de a perder…ou não!
Sei que já não a perco, mas conheço-lhe os silêncios.
O tempo dos anjinhos e da adesão inocente ao pensamento mágico ainda me habita, Graças a Deus! Mas também me mordem as dúvidas, as inquietações e, o pior de tudo, as certezas…
Da Vida, sei do êxtase e sei do deserto. Mas, já não tenho medo como quando tinha 6 anos e achava que religião era coisa de memória e de gente sem sorrisos.
A Fé é um caso sério e estou nesta relação há demasiado tempo, para não saber a trabalheira que dá explicar o inexplicável…
O Scala é a oportunidade de que estava à espera.
Tempo do Fogo
Dias de fogo Dia de mergulhar num silêncio limpo. Sem palavras, pensamentos, desculpas. Fechar os olhos e ver as fendas dos nossos "tem...
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“ [...] a experiência mística de todos os séculos, de todos os países e de todas as religiões demonstra que o auge do sentimen...
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"A porta de entrada para a terra silenciosa é uma ferida. O silêncio põe a nu esta ferida. Não viajamos longe no caminho espiritual a...
