30/04/2021

Casa da Criança Divina: casa de bónus

 




"Como podiam os raios de Deus caber no coração?

No entanto, 

quando o procuras aí o encontras, 

não desde o ponto de vista da contenção 

que leva a dizer que a luz está nesse lugar

Encontrá-la-ás através desse lugar..."

Rumi


Não consigo dizer com precisão quanto comecei a ter a noção consciente de "Deus". Recuando à primeira infância, lembro-me de conviver com este "adulto", mal dei conta de mim como ser consciente. Sentia-O como um Familiar de respeito. Observava a reverência dos meus pais e avós perante este parente de quem eu não conhecia a foto... mas a torto e a direito tropeçavam Nele e chamavam-nO pelo Nome: "Ai meu Deus!" "Deus queira..." "Deus castiga" "Deus tudo vê..."  "Deus te ajude!", o certo é que "Deus" foi surgindo na minha mente imatura de miúda,  como uma espécie de baby-siter dos pais, quando o olhar deles não estava a ver o que eu fazia. Aliás, nesse tempo, os pais faziam questão de advertir as crianças de que fizessem o que fizessem, "Deus":

Via Tudo!

Ouvia tudo!

Sabia os nossos pensamentos! 

Estava em Todo o lado!

Podia Tudo!

Mas...ninguém o via…

Assim, Deus foi conquistando espaço como "A Presença" que me acompanhava quando estava sozinha… Pois estendesse eu um braço, tocava em Deus. Estivesse triste ou alegre, Deus também sabia isso. Pelo menos Ele sabia isso. Mesmo que os parentes de casa nem dessem pelo ruído das minhas tristezas… ou estivessem atentos às minhas fantasias. Cresci a sentir-me invisível. Só esse Deus pelos vistos, via-me e ouvia-me! Aceitava-me tal qual eu era, uma Maria-rapaz sempre a levar nas orelhas dos outros adultos, por não obedecer à visão da menina prendada da família…

Tive sorte, admito, porque Deus podia ter sido sentido por mim como terror. Mas nessa fase antes dos 5/6 anos, Deus era "simpático". Eu brincava sozinha e Ele já era, sem eu saber, o TU a quem eu contava as minhas histórias. Talvez Deus se tenha engraçado de mim e divertido com as minhas fantasias e nunca tive muito medo Dele, embora me transmitissem que Ele era de temer.  Confesso que tinha muito mais medo de outros parentes lá de casa…

Nessa fase do meu desenvolvimento, Deus  surgia como uma Casa de Colo, embora neste  Jogo da Glória onde se avança e recua, tudo apontasse que poderia ter sido uma Casa de Medo, de cobrança pela má sorte de ter feito asneira. Mas, ao jogar os dados da minha primeira infância, Deus foi para mim uma Casa de Confiança e era o meu Colo na ausência do afeto que eu ansiava. Ele não me julgava. Não tinha espectativas. Era Presente e estava Presente. Deus era o Tu imenso como o mundo que eu intuía pela frente. Era diferente de mim, mas algo me dizia no fundo do meu coração, que eu já O conhecia. Ele era de casa e, mais Família do que os meus parentes de sangue.

Cresci e Deus começou a ficar mais difícil… davam-lhe nomes. Dividiam-no em três e colocavam-lhe o nome de Pai e de Filho. O Espírito Santo só voou mais tarde. Com a idade da razão, esse vírus da razão que me contaminou a inocência, Deus que era simples e leve como o ar, precisou de razão para Ser e, ficou tudo muito mais pesado. Estranho. Complicado.

Com a entrada na escola, o meu Amigo silencioso que me dava colo foi-se diluindo. Viria a encontrá-lo muito mais tarde…


Penso que para muita gente, eu incluída, a ideia de Deus é primeiramente percecionada numa parceria com a mãe! Deus reveste-se de atributos de afeto e de nutrição. Para quem teve uma matriz cristã como eu tive, a religião vinha no kit desde a barriga da mãe. Crescíamos a falar a língua materna e a religião fazia parte dos ciclos da dinâmica familiar. Deus era e não se discutia. Afinal, ninguém reclama da língua com que aprende a comunicar! Do mesmo modo que a fome física era saciada pelos pais, a fome de transcendência era também saciada, tapada, na hora, com a Fé dos pais. A língua sobre Deus confundia-se com a língua materna e, a perceção do mundo era por isso, também condicionada pelo modo como Deus era vivido  por aqueles que nos rodeavam.

Só que…

De Deus nada sabemos...e, o Deus que muitas vezes nos apresentam, é cheio de certezas. Tão certinho!! Mas quando queremos provas da sua existência, e deixamos de ser como as crianças, Ele ri-se e afasta-se de nós de imediato, ou...talvez sejamos nós a sair do Seu habitat..

Dá-nos tempo para lavarmos os olhos e O vermos a partir de dentro. Aí, talvez lhe possamos encontrar os sinais…

"O sopro onde quer, sopra. E ouves a sua voz. Mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do espirito." (Jo, 3:8)

Tantas vezes como adultos, colocamo-nos perante a problemática de Deus na perspetiva da criança abandonada. O trauma do abandono de um Deus que nos deixaria à deriva num universo descomunal! O tema da angústia existencial coloca-se e, a vida fica cinzenta, sem marcos orientadores do devir da existência. Deus estaria algures num início qualquer, mas o vínculo, o cordão umbilical divino rompeu-se e a criatura sente-se perdida, com o universo às costas e sem GPS para tanta viagem!

Quem faz acompanhamento psicológico ouve com frequência relatos sobre abandono. Nas salas dos psis, adultos de todas as idades trazem em carne viva a criança ferida, abandonada pelo pai, ou pela mãe, ou pelos dois...ou por Deus. Algures na sua história, Deus "parte" , quase sempre pouco tempo depois, ou coincidente com o trauma da partida, ou desilusão de um familiar, de um amigo. Será um caminho doloroso cuidar destas  narrativas abandónicas e, reconstruir as condições, para que esse adulto possa sentir/perceber que será ele no presente, como adulto, que terá de nutrir e serenar essa criança em sofrimento que ainda pulsa dentro de si. Só ele a pode salvar. Só ele se pode salvar!

Contudo, a par da criança abandonada, existe dentro de cada um de nós aquilo que Jung chama a criança divina. Ela é aquele ímpeto de esperança que cada um tem quando nasce, e respira pela primeira vez. É tudo o que o anima no fundo mais fundo de si. Issoé maior do que o Eu que construiu. A criança divina é uma fonte de criatividade e sonho, de vivacidade e confiança, de força e energia. No entanto, só quando me permito reconhecer a criança ferida, se torna possível vislumbrar a criança divina, recuperá-la, porque se olhou as feridas e, nesses rasgões, ela foi avistada como o tesouro escondido com o lacre do divino.

C.G.Jung fala desta criança divina como uma imagem arquetípica que tem em si o poder de renovar a vida. De ir ao sofrimento curar a criança ferida. O encontro com a criança divina e a aprendizagem de reconhecimento dela, desencadeia uma onda de criatividade, de fluxo rumo à matriz mais profunda do nosso ser. Em última análise, ao Santo dos Santos de cada um,  onde Deus cunhou a sua impressão digital e nos deu um nome…

Ele está por aí…

Tantas vezes com a vida virada do avesso, é uma imagem de algo que nos encheu de alegria na infância,  aquilo que tem o poder de acordar em nós a vivacidade, quando a vida está parada, ou em carne viva. Conseguir preservar o dom da infância no seu estado mais puro, é uma arte, um projeto e um dom. Intuir a fonte límpida do desejo, onde ainda coincide o Desejo que Deus tatuou em nós,  com o desejo que nos move a agir, é uma tarefa trabalhada pelo interior. A oração pode ser um dos caminhos para aceder a essa zona mais arcaica e mágica dentro de cada um. Para outros, poderá ser a arte, alguma prática meditativa, ou um processo psicoterapêutico . Certo é que essa criança divina tem a chave para nos recordar quem somos. Não por acaso Jesus falava tão bem das crianças…

"Deixai as crianças e não as impeçais de virem até mim, pois delas é o reino dos céus." (Mat 19:14)



Inspirações:

BUBER, Martin. Eu e Tu. Prior Velho: Paulinas editora, 2014

DOLTO, Françoise, SÉVÉRIN, Gerard. La foi au risque de la psychanalyse. Editions du Seuil,1981

GRÜN, Anselm. Fontes da Força Interior. Pétropolis, RJ: Vozes,2007

LOURENÇO,Frederico. Bíblia vol I. 1ª ed Lisboa: Quetzal, 2016

RUMI, Mevlana. A Sabedoria do Coração. Carcavelos: Coisas de Ler, 2005



03/02/2021

Perichoresis - a dança divina





Meditação Sufi, corrente mística do Islamismo.
Ligação dançante entre o Céu e a Terra. 


 
Duas maneiras de chegar a Deus.
Um só Deus na mesma Dança.

21/01/2021

Jesus Cristo



Um magnífico poema que expressa a experiência direta da transfiguração em Cristo, do que poderá ser uma visão poética da Redenção, verdadeira joia da espiritualidade mística e não-dual cristã: 

“Nós despertamos no corpo de Cristo
à medida que Cristo desperta nos nossos corpos
e a minha pobre mão é Cristo. Ele entra
no meu pé e é infinitamente eu. 

Movo a minha mão e maravilhosamente 
a minha mão torna-se Cristo, torna-se todo Ele
(pois Deus é indivisivelmente 
inteiro, sem costura na sua Divindade).

Movo o meu pé e de imediato
ele aparece num relâmpago.
As minhas palavras parecem blasfemas? – Então
abre o teu coração a Ele

E deixa-te receber aquele 
Que se está a abrir a ti tão profundamente.
Pois se genuinamente O amamos, 
Nós despertamos dentro do corpo de Cristo

Onde todo o nosso corpo, em todo o lado,
cada mais escondida parte dele,
é reconhecido na alegria como Ele.
E Ele torna-nos totalmente reais.

E tudo o que está ferido, tudo
o que nos parecia escuro, áspero, vergonhoso,
mutilado, feio, irreparavelmente 
mutilado, é Nele transformado

e reconhecido como inteiro, adorável,
radiante na sua luz.
Nós despertamos como o Amado
em cada última parte do nosso corpo”


 São Simeão, o Novo Teólogo (949-1022), “Corpo de Cristo"







03/01/2021

Pedras no Caminho


Quando era miúda gostava de caminhar aos saltinhos!
Está-se mesmo a ver o que deu tanta energia…
Fosse o caminho plano, ou não, saltaricar era obrigatório, assim como… cair, raspar os joelhos nas pedras, lascar as mãos e levar uns tabefes dos pais…

Esta lembrança de criança surgiu enquanto refletia sobre a história da Igreja. Pus-me a pensar:" E se as várias fases desta História fossem pavimentos? Como seriam?
Calcetados com que pedras? Doíam nos pés?
Quantas quedas já demos como tribo a caminho do Reino? Que cicatrizes trazemos? Quantas feridas abertas…
Tudo começou com tanta Alegria! Onde tropeçamos?
Porque nem sempre o chão foi meigo, e muitas das quedas abriram brechas…

Afinal, tudo não começou com uma pedra deslocada do túmulo?!
E até um tal Simão levou com a alcunha de Pedra!

Pedras…
Pedra angular
Pedra de tropeço
Pedras onde caem sementes
Pedras que servem para apedrejar
Pedras as cabeças dos apóstolos que não entendem… as nossas também não…
Pedras…

No princípio o Caminho foi feito de pedras que mataram Estevão.
Depois, de pedras que feriram os pés daqueles que fugiam da perseguição. Mas, passados anos, essas pedras criaram chão! 


O império romano criou estradas e levou o cristianismo bem longe! Umas vezes a bem, outras a mal. No meio de tanta exuberância  o Império virou cristão, e as ideias pululavam …. tiveram de pôr ordem e juntar todos os caminhos num primeiro chão onde a Igreja se quis una. 

O Chão dos Concílios ….

Era preciso pensar e articular as correntes. Mas,  a mensagem quase ficou enredada num labirinto de questões sobre a conciliação entre a divindade de Cristo e a unidade de Deus; sobre a "convivência" entre a natureza humana e divina em Cristo. Para dificultar, as heresias abundavam … Mas, o Espirito Santo pairava por aquelas bandas e, desde Jerusalém, até Calcedónia, o Chão de vários Concílios foi sendo sucessivamente feito e refeito. Entre erros, fragilidades e muita inspiração, foi ladrilhado em 5 séculos o Chão seguro em que tudo depois assentou…

Muito Chão foi feito desde então, mas, com desafios equivalentes, só penso no Chão do Vaticano II…ainda o estamos a construir e como nos primeiros séculos, estamos a aprender a deixar  para trás o ruído que nos oculta da Fonte… pedra a pedra a desfazer as encruzilhadas tecidas com areia do Poder. São muitos os becos sem saída e os labirintos. Está a ser um trabalho duro!! Mas a Alegria que atravessa o Tempo faz-nos dançar em todos os caminhos, pois o mundo é de quem o percorre como as crianças: saltitando com confiança em qualquer chão, arrumadinho, ou em "pedra aberta" e mesmo nas quedas, rapidamente as lágrimas se transformam em risos e venha o que vier, o colo do Pai/Mãe está por perto. 

02/01/2021

No Princípio...




O meu olhar sobre a  Igreja no Tempo,  é um olhar como quem folheia um álbum de fotos de família...a família "Cristã", com tudo o que isso implicou e implica na tela da História.  


Existem trisavós com quem me identifico e, tem outros parentes, uns mais próximos, outros perdidos nas brumas do tempo, de quem não tenho apreço algum. De alguns tenho até vergonha... foram um desastre...mas a maior parte destes familiares fazem-me estourar de orgulho! 

Todos,  com as suas fragilidade ou os seus dons, fazem parte desta viagem ao longo dos tempos... 

Mas, por mais voltas que dê a esta história,  o certo é que isto tudo começou muito mal...

...aquele Jesus que está no Início, nasceu humilde. Anónimo. Numa aldeia perdida na Galileia. Deu-se com gente que era renegada. Trocou as voltas às convenções  e deu voz às mulheres. Até a família desconfiava dele! E,  morreu como um malfeitor…

Contudo, de que Força era feito este homem Jesus, para com um punhado de apóstolos carregados de defeitos, terem fundado uma religião?

O que os levou a acalentar uma mensagem contra a corrente?

A jurar a pés juntos que o tinham visto ressuscitado?

Talvez o impacto de um Amor  infinito, fosse o que teve ressonância no coração  daqueles homens e mulheres...talvez eles tivessem percebido a pulsação na cadência do Pai…. Daquele Abba de que Jesus tinha a boca cheia. Eles tinham feito a experiência também…

Ficou-lhes tatuada no coração.

Foi o impacto de um Amor tão íntimo vivido na pequena comunidade,  que atravessou séculos e foi construindo o homem por dentro! Quase como se eles tivessem aprendido a música desse amor e, ao longo dos séculos tenham andado a tentar entender as palavras.  

Homens feitos a aprender a falar a "língua" de Jesus...umas vezes bem, outras vezes a meter os pés pelas mãos.

Nem sempre a letra dessa música foi profunda e leve como era a de Jesus, mas quando atinaram com a música! Foi um festival! 

Passados mais de 2000 anos honramos os passos de quem nos precedeu, e guardamos no mais fundo de nós, o rumor desse profeta que passa sem alarido e se cruza com as vidas simples dos homens. Ainda hoje! 


01/01/2021

A Doutrina


(Imagem: cartilha da "Comunhão Solene" do meu pai)


Era domingo,  vestiram-me o melhor vestido e os sapatos de verniz. Disso eu gostei!

À minha volta zumbiam recomendações, a maior parte delas a começar por um "Não". 

Ia fazer o exame para a minha primeira comunhão. Sim, faziam-se exames! Seria comunhão "privada" antes de frequentar a catequese. 

Fui moldada pelo ensino doméstico da "doutrina", na versão da minha avó paterna. De nome Piedade, era uma mulher rígida, pouco afetuosa e, que levava à risca a sua missão de me fazer memorizar um rosário de orações, as necessárias para eu me aproximar do altar com os adultos. Meu Deus, o quanto me custou memorizar a "Salve Rainha"! Mas no dia designado, julgo que terá sido 27 de fevereiro, o mesmo dia do aniversário do meu pai e do meu batismo há 60 anos atrás, lá me apresentei ao abade de Paranhos.

Era um homem corpulento, com uma voz autoritária. Imenso! Eu, na altura dos meus 6 anos (a tal idade da razão, diziam)  fui presente ao inquiridor na sacristia da igreja. Ele olhou para mim de alto a baixo, sério. Religião era assim, sem sorrisos, achava eu… e começou a perguntar...Pai nosso??… Ave Maria??…mas, eu fiquei qual estátua de sal! Nem uma palavra saiu  da minha boca! Irritado, ele insistia. Aterrorizada, eu engolia a "Doutrina" mal digerida e só queria fugir dali! O abade, do cimo da sua sobranceria virou-se para os meus pais, envergonhados com a minha triste figura e disse-lhes: "Eu só permito que ela comungue, porque sei a família de onde vem"!!

Eu não percebi nada. Mas na missa que se seguiu, fui encaminhada para a fila  da comunhão e entrei para a equipa dos grandes!  Queria sentir-me feliz, mas não...foram tantos os avisos, os sinais proibidos, que só pensava que já estava farta daquela "idade da razão"! Afinal, a partir daquele dia estava sujeita a uma série de interdições. E nesse mesmo dia, senti que tinha perdido a inocência...algo se tinha quebrado dentro de mim…

E foi assim que comecei a ter consciência do que era ser cristã. Já sabia que o era por vontade dos meus pais através do batismo. Sentia pertença a este termo "cristã", como se fosse uma espécie de sangue que me corria nas veias igual ao da família. Mas não sabia a razão… Por isso, naquele dia não percebi o significado de ser admitida "à mesa"...

Coisas do outro século…

Mas, aqui estou, com mais um dígito na idade à frente do 6. 60!

De regresso às origens! Rumo casa de partida...

Agora com caminho feito e, certamente,  com a inocência resgatada! Em busca do que é esta família de cristãos unidos pelo mesmo Jesus. 

Numa espécie de "exame" que a mim mesma me coloco, agora na idade madura …

Sem abade mostrengo, mas em confronto com os meus "mostrengos" . Com todas as deFormações que a vida armazenou em mim. Com todos os seus encantos.

Sou eu mesma a propor-me a "exame". A correr riscos com a Fé, porque aprofundá-la é correr o risco de a perder…ou não!

Sei que já não a perco, mas conheço-lhe os silêncios. 

O tempo dos anjinhos e da adesão inocente ao pensamento mágico ainda me habita, Graças a Deus! Mas também me mordem as dúvidas, as inquietações e, o pior de tudo, as certezas…

Da Vida, sei do êxtase e sei do deserto. Mas, já não tenho medo como quando tinha 6 anos e achava que religião era coisa de memória e de gente sem sorrisos.

 A Fé é um caso sério e estou nesta relação há demasiado tempo, para não saber a trabalheira que dá explicar o inexplicável…

O Scala é a oportunidade de que estava à espera.

Finalmente, vou (re)Começar!




Tempo do Fogo

Dias de fogo Dia de mergulhar num silêncio limpo. Sem palavras, pensamentos, desculpas. Fechar os olhos e ver as fendas dos nossos "tem...